Autor: Fernanda Siniscalchi

  • Presença irregular de drones em área de aproximação reforça alerta sobre segurança aérea e responsabilidade legal

    Presença irregular de drones em área de aproximação reforça alerta sobre segurança aérea e responsabilidade legal

    Leia em 3 minutos

    O registro recente de drones operando nas proximidades do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, no dia 15 de fevereiro de 2026, reacende um debate urgente sobre segurança operacional, cultura aeronáutica e responsabilidade no uso de aeronaves não tripuladas.

    Independentemente de circunstâncias pontuais, é fundamental compreender que qualquer objeto voador não autorizado em zona de aproximação representa risco real à aviação comercial, executiva e à segurança pública.

    O que acontece quando um drone invade área de aeroporto?

    A presença de drones em áreas de aproximação ou decolagem pode levar a:

    • Suspensão imediata de pousos e decolagens
    • Desvios de aeronaves para aeroportos alternativos
    • Aumento do consumo de combustível
    • Impacto em conexões internacionais
    • Custos operacionais relevantes para companhias aéreas
    • Risco potencial à integridade estrutural de aeronaves

    Em aeroportos de grande movimento como Guarulhos, que opera milhares de passageiros por hora, qualquer interrupção gera efeito cascata em todo o sistema aéreo nacional.

    O que diz a legislação brasileira?

    No Brasil, a operação de drones é regulada por três órgãos principais:

    • ANAC – Regulamentação aeronáutica (RBAC-E 94)
    • DECEA – Controle do espaço aéreo (SARPAS)
    • ANATEL – Homologação de radiofrequência

    É proibido operar drones sem autorização em áreas próximas a aeródromos. Além disso:

    • Voos em zonas de controle (CTR) exigem autorização prévia
    • Operações acima de 120 metros são restritas
    • O operador deve manter linha de visada visual
    • O equipamento deve estar devidamente cadastrado

    A violação dessas regras pode resultar em:

    • Multas administrativas
    • Apreensão do equipamento
    • Responsabilização civil por danos
    • Enquadramento criminal por atentado contra a segurança do transporte aéreo

    Não se trata de uma infração leve. Dependendo do contexto, pode haver implicações penais.

    Drone não é brinquedo

    Um ponto crítico é a percepção pública. A popularização dos drones recreativos trouxe benefícios para fotografia, inspeções, agricultura e mapeamento. No entanto, a facilidade de compra não elimina a complexidade regulatória.

    Um drone operando a poucos quilômetros de um aeroporto pode estar tecnicamente dentro de uma área controlada, mesmo que o operador “não veja avião nenhum”.

    E é aí que mora o perigo.

    A aproximação final de uma aeronave comercial ocorre a baixa altitude e alta velocidade. Um impacto com drone pode causar danos a motores, para-brisa ou superfícies de comando.

    Tecnologia ajuda, mas não resolve sozinha

    Geofencing, identificação remota (Remote ID) e bloqueios automáticos são ferramentas importantes. Porém:

    • Nem todos os equipamentos possuem sistemas ativos
    • Modificações ilegais removem barreiras de segurança
    • Operadores mal-intencionados ignoram alertas

    A solução não é apenas tecnológica — é cultural e educativa.

    O papel da educação e da governança

    Na Brazil Flying Labs, por meio do nosso Hub CAA (Civil Aviation Advisory), defendemos três pilares:

    1. Educação técnica obrigatória para operadores
    2. Fortalecimento da fiscalização inteligente
    3. Campanhas públicas de conscientização

    O uso responsável de drones é essencial para que o setor continue crescendo com segurança.

    Impacto sistêmico

    Quando um aeroporto fecha por presença de drone:

    • Companhias aéreas acumulam prejuízos
    • Passageiros enfrentam atrasos e conexões perdidas
    • O sistema aéreo absorve pressão operacional
    • A imagem do setor de drones sofre desgaste

    Ou seja, a atitude isolada de um operador impacta todo o ecossistema.

    Caminho para frente

    O Brasil possui uma das estruturas regulatórias mais completas da América Latina para drones. O desafio agora é fortalecer:

    • Cultura de conformidade
    • Fiscalização baseada em dados
    • Integração entre autoridades
    • Responsabilização efetiva

    Drones são ferramentas extraordinárias para desenvolvimento econômico, monitoramento ambiental, agricultura de precisão e inovação social. Mas seu uso exige maturidade operacional.

    Segurança aérea não é opcional.

    É fundamento.

    Leia a cobertura original do caso

    Para acompanhar a reportagem jornalística completa com detalhes operacionais e desdobramentos do evento, recomendamos a leitura da matéria publicada pelo portal AEROIN:

    🔗 Aeroporto de Guarulhos é fechado duas vezes na tarde deste domingo de carnaval devido à presença de drones
    Disponível em:
    https://www.aeroin.net/aeroporto-de-guarulhos-e-fechado-duas-vezes-na-tarde-deste-domingo-de-carnaval-devido-a-presenca-de-drones/