No dia 12 de junho de 2026, Diego Ferruzzo, Diretor Executivo da Brazil Flying Labs, foi o palestrante convidado do seminário “Wildfire Insight Intelligence: Plataforma de evaluación de daños postincendio con imágenes satelitales”, promovido pelo CopernicusLAC Chile — o Centro Regional Copernicus para América Latina e o Caribe.
O evento aconteceu na Sala Maryam Mirzakhani, na Universidad de Chile (Beauchef 851, Santiago), com transmissão ao vivo pelo YouTube.
O seminário abordou como as imagens da constelação Sentinel-2 do programa europeu Copernicus vêm sendo utilizadas para desenvolver uma solução gratuita e atualizada de monitoramento de danos causados por incêndios florestais. A plataforma Wildfire Insight Intelligence fornece informações precisas sobre a extensão e a severidade das áreas afetadas — uma ferramenta essencial para a gestão de desastres e a resposta rápida a emergências ambientais.
Diego apresentou a experiência da Brazil Flying Labs no uso de tecnologias geoespaciais, drones e inovação para enfrentar desafios sociais, ambientais e humanitários na América Latina, conectando a iniciativa brasileira à rede global da WeRobotics e ao ecossistema Copernicus.
CopernicusLAC Chile
O CopernicusLAC Chile é o centro regional do programa Copernicus para a América Latina e o Caribe, com sede em Santiago. Sua missão é promover o uso de dados de observação da Terra por meio de capacitação, pesquisa aplicada e colaboração com instituições locais, exatamente o tipo de parceria que fortalece o impacto da Brazil Flying Labs na região.
📆 Data: 12 de junho de 2026 📍 Local: Sala Maryam Mirzakhani, Beauchef 851 — Santiago, Chile 🎙️ Palestrante: Diego Ferruzzo — Diretor Executivo da Brazil Flying Labs
No dia 12 de junho de 2026, a Brazil Flying Labs, em parceria com a UFABC, realizou o evento Panorama de Operações com Drones e Segurança Operacional no campus de São Bernardo do Campo. O encontro reuniu especialistas nacionais e internacionais para discutir a regulamentação, segurança operacional e o futuro da tecnologia aérea não tripulada — com público presencial e transmissão ao vivo pelo YouTube.
Em um cenário onde os drones estão transformando setores como engenharia, meio ambiente, logística e segurança pública, compreender suas operações e garantir a segurança operacional tornou-se essencial. O Panorama foi pensado justamente para aproximar estudantes, profissionais e entusiastas das discussões mais atuais do setor.
Com caráter extensionista, gratuito e aberto ao público, o evento promoveu a integração entre universidade e sociedade por meio da disseminação de conhecimento técnico e científico. Tudo isso alinhado à missão da Brazil Flying Labs de usar tecnologia para impacto social.
Confira abaixo o resumo de cada sessão e as gravações já disponíveis.
Programação
17h10 – Diego Ferruzzo (Brazil Flying Labs): Tech for Social Good 🇧🇷
17h50 – Rui Carlos Josino Alexandre (ANAC): Regulamentação e Segurança Operacional Para o Uso de Drones 🇧🇷
18h45 – Markus Engelhart: Introduction to SORA and its Implementation in Europe 🇬🇧
19h25 – Eduardo Silva: Drones e Pesquisa Acadêmica: interfaces entre Ciência, Direito e Sociedade 🇧🇷
🎥 Palestra 1 — Tech for Social Good
Diego Ferruzzo (Brazil Flying Labs)
Diego Ferruzzo é Diretor Executivo da Brazil Flying Labs, hub brasileiro da rede global Flying Labs — presente em mais de 40 países e apoiada pela WeRobotics. Com uma trajetória dedicada ao uso de tecnologias abertas e acessíveis para resolver desafios locais, Diego abriu o evento apresentando a missão da Brazil Flying Labs e como drones, dados e inteligência artificial podem ser aliados poderosos na construção de impacto social positivo.
Sua fala mostrou exemplos concretos de projetos que unem tecnologia e comunidade, reforçando o propósito da rede Flying Labs: capacitar pessoas, criar soluções locais e democratizar o acesso à inovação.
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🎥 Palestra 2 — Regulamentação e Segurança Operacional de Drones
Rui Carlos Josino Alexandre (ANAC)
Rui Carlos Josino Alexandre é Coordenador da Coordenadoria de Drones e Novas Tecnologias (CDNT) da ANAC — Agência Nacional de Aviação Civil. Com vasta experiência em certificação de aeronavegabilidade de drones, sistemas aviônicos e aviação geral, Rui trouxe uma visão privilegiada de quem está na linha de frente da regulação de drones no Brasil.
Em sua apresentação, ele aborda o panorama regulatório brasileiro, os fundamentos da segurança operacional e os desafios que o setor enfrenta para crescer com responsabilidade. Uma palestra essencial para operadores, fabricantes e todos que desejam entender as regras do jogo no ecossistema de drones no país.
🎥 Palestra 3 — Introduction to SORA and its Implementation in Europe
Markus Engelhart
Markus Engelhart é especialista independente em regulação de drones com mais de uma década de experiência entre startups, consultoria e organismos internacionais de normatização. Membro do JARUS WG SRM (Joint Authorities for Rulemaking on Unmanned Systems – Working Group on Safety Risk Management) e ex-Gerente de Drones & Advanced Air Mobility na Accenture, Markus é referência quando o assunto é SORA e sistemas C-UAS.
Nesta palestra em inglês, Markus apresenta a metodologia SORA (Specific Operations Risk Assessment) — o padrão internacional para avaliação de risco em operações específicas com drones — e explica como ela vem sendo implementada na Europa. Conteúdo técnico de alto nível direto de quem participa ativamente da construção dessas regras.
🎥 Palestra 4 — Drones e Pesquisa Acadêmica: interfaces entre Ciência, Direito e Sociedade
Eduardo Silva
Eduardo Silva é Doutorando em Ciências Aeroespaciais, Mestre em Educação e Especialista em Direito Militar e Educação Tecnológica. Bacharel em Direito e em Segurança Pública, além de Graduado em Pedagogia e em Gerenciamento de Tráfego Aéreo, Eduardo reúne uma formação multidisciplinar única que o coloca na interseção entre academia, regulação e operação.
Em sua apresentação, Eduardo explorou as interfaces entre ciência, direito e sociedade no contexto dos drones — conectando a pesquisa acadêmica com os desafios jurídicos e sociais que a tecnologia impõe. Uma fala que amplia a conversa para além da técnica, trazendo reflexões sobre ética, legislação e o papel da universidade na construção do futuro do setor.
▶️ [Não disponível]
Agradecimentos
A Brazil Flying Labs agradece a todos os palestrantes, à UFABC pela parceria e hospitalidade, à equipe organizadora — Fernanda de Melo Siniscalchi, Theo Garcia da Silva, Ricardo Sandro Siqueira Lobato Sobrinho, Mateus dos Santos Correia e Diego Ferruzzo — e a cada participante que esteve presente ou acompanhou online. Eventos com este só são possíveis com colaboração.
No dia 1º de junho de 2026, Marcelo Camargo, da Brazil Flying Labs, participou como palestrante convidado do workshop “Multi-modal robotics for sustainable environmental sensing”, realizado durante o IEEE ICRA 2026, em Viena, Áustria.
A participação ocorreu representando a WeRobotics e a Brazil Flying Labs, trazendo experiências relacionadas ao uso de tecnologias de sensoriamento remoto, práticas de campo e monitoramento ambiental.
A apresentação de Marcelo teve como tema “Environmental Sensing and Field Practices” e foi relacionada ao trabalho de sensoriamento remoto desenvolvido na área da Reserva de Jataí, em São Paulo. A fala abordou a importância de integrar observações de campo, dados ambientais e tecnologias de sensoriamento para apoiar o entendimento e o acompanhamento de áreas naturais.
Durante a apresentação, foram compartilhadas reflexões sobre os desafios práticos do trabalho em campo, a necessidade de considerar os contextos locais e o papel de tecnologias como drones, imagens de satélite, sensores e sistemas de análise geoespacial em iniciativas ambientais.
O workshop reuniu pesquisadores, profissionais e participantes interessados no uso de robótica e sensoriamento ambiental em ações voltadas à sustentabilidade. A programação também contou com um painel de discussão, que permitiu ampliar o diálogo entre diferentes perspectivas e experiências.
A participação reforça o compromisso da Brazil Flying Labs em promover o uso responsável, colaborativo e contextualizado de tecnologias emergentes para apoiar iniciativas ambientais, fortalecer capacidades locais e contribuir com práticas de monitoramento em territórios de interesse ecológico.
A Brazil Flying Labs tem orgulho de apoiar a participação de estudantes da Universidade Federal do ABC — UFABC na Competição EletroQuad SAE BRASIL – AXIA Energia 2026, realizada entre os dias 14 e 17 de maio de 2026, na Univap — Universidade do Vale do Paraíba, em São José dos Campos, SP. A competição reúne equipes universitárias de diferentes regiões do Brasil em um desafio voltado ao desenvolvimento de drones quadrotor com capacidade de voo autônomo.
A equipe Taphros Drone Systems, formada por alunos da UFABC que também integram a Entidade Estudantil da Brazil Flying Labs, representa a universidade na edição de 2026 da competição. O grupo leva ao evento um projeto multidisciplinar que reúne engenharia, robótica, eletrônica embarcada, controle, programação e visão computacional. A equipe consta entre as inscritas oficialmente na competição, vinculada à Fundação Universidade Federal do ABC, campus São Bernardo do Campo.
A iniciativa conta também com a articulação e o envolvimento de entidades estudantis e técnicas como Taphros, IEEE, IEEE AESS e Flying Labs, fortalecendo a conexão entre universidade, indústria, pesquisa aplicada e inovação tecnológica. Para a Brazil Flying Labs, apoiar esse tipo de participação é uma forma concreta de incentivar a formação de novos talentos em tecnologias aéreas, sistemas autônomos e aplicações responsáveis de drones.
A EletroQuad SAE BRASIL tem caráter educacional e desafia estudantes e professores a conceber, projetar, documentar, construir e realizar o voo autônomo de um drone do tipo quadrotor. O objetivo é promover o intercâmbio de conhecimentos em engenharia de sistemas, robótica e aeronaves de asas rotativas, além de desenvolver competências como trabalho em equipe, liderança, planejamento, ética profissional, empreendedorismo e inovação.
Mais do que uma competição, o EletroQuad é um ambiente de aprendizagem prática. Ao longo do processo, os estudantes enfrentam desafios semelhantes aos encontrados em projetos reais de engenharia: definição de requisitos, integração de sistemas, testes, documentação técnica, tomada de decisão, gestão de recursos e validação em campo. Esse tipo de experiência contribui diretamente para a formação de profissionais mais preparados para atuar em setores estratégicos da mobilidade aérea, robótica, defesa, monitoramento ambiental, cidades inteligentes e operações com drones.
Para a Brazil Flying Labs, apoiar os alunos da UFABC reforça nosso compromisso com a democratização do acesso à tecnologia, o fortalecimento de ecossistemas locais de inovação e a formação de jovens capazes de desenvolver soluções com impacto positivo para a sociedade. Acreditamos que projetos estudantis como a Taphros Drone Systems são fundamentais para aproximar conhecimento acadêmico, prática experimental e desafios reais do setor aeroespacial.
Desejamos sucesso à equipe da UFABC nesta jornada e parabenizamos todos os estudantes, professores, mentores e entidades envolvidas por transformar conhecimento em ação.
Brazil Flying Labs Tecnologia aérea, educação e inovação para impacto social.
A Mata Atlântica acaba de registrar um marco importante para a conservação ambiental no Brasil. Segundo a Fundação SOS Mata Atlântica, dois dos principais sistemas de monitoramento do bioma apresentaram, em 2025, os melhores resultados de suas séries históricas.
O SAD Mata Atlântica, desenvolvido pela SOS Mata Atlântica, MapBiomas e Arcplan, registrou queda de 28% no desmatamento, passando de 53.303 para 38.385 hectares. Já o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, parceria entre SOS Mata Atlântica e INPE, apontou redução de 40% na supressão de florestas maduras, de 14.366 para 8.668 hectares. Pela primeira vez em quatro décadas de monitoramento, o desmatamento anual ficou abaixo de 10 mil hectares nessa categoria.
Esse resultado mostra que políticas públicas, fiscalização, pressão social e monitoramento ambiental funcionam quando aplicados de forma contínua. Também reforça a importância de instrumentos como a Lei da Mata Atlântica, que completa 20 anos em 2026, e de sistemas técnicos capazes de transformar dados ambientais em evidências para tomada de decisão.
Mas a boa notícia não elimina o desafio. A Mata Atlântica ainda abriga cerca de 70% da população brasileira e sustenta mais de 80% do PIB nacional, sendo essencial para segurança hídrica, estabilidade climática, biodiversidade, agricultura e qualidade de vida. Ao mesmo tempo, o bioma mantém apenas cerca de 24% de sua cobertura original, sendo aproximadamente 12,4% correspondente a florestas maduras.
Para a Brazil Flying Labs, esse cenário confirma uma direção clara: conservar melhor exige combinar ciência, tecnologia e presença local. Drones, sensoriamento remoto, dados geoespaciais, inteligência artificial e formação de capacidades podem apoiar governos, organizações da sociedade civil, comunidades e gestores ambientais a monitorar áreas críticas, documentar mudanças no território, priorizar ações de restauração e responder mais rapidamente a riscos ambientais.
A redução do desmatamento mostra que é possível avançar. O próximo passo é fortalecer ainda mais a capacidade de detectar, analisar e agir. Sistemas como o SAD e o Atlas oferecem uma base fundamental de monitoramento em escala. Em complemento, tecnologias locais e aplicadas podem ajudar a aproximar esses dados da realidade de campo, conectando evidências técnicas com decisões práticas.
Na Brazil Flying Labs, trabalhamos para que tecnologias como drones, dados e IA sejam usadas de forma responsável, acessível e orientada ao impacto. A proteção da Mata Atlântica depende de políticas públicas fortes, fiscalização efetiva, restauração ecológica e também de inovação aplicada a serviço da sociedade.
O menor desmatamento histórico é motivo de reconhecimento. Mas também é um chamado para manter a vigilância, ampliar a restauração e transformar dados ambientais em ação concreta.
Fonte: Fundação SOS Mata Atlântica – “Desmatamento na Mata Atlântica atinge menor nível histórico e confirma trajetória de desaceleração”.
Nos dias 7 e 8 de maio de 2026, a Brazil Flying Labs participou do World Symposium on Artificial Intelligence for Climate Change Adaptation and Mitigation (WS-AI4CCAM), realizado em Niterói, Rio de Janeiro, na Universidade Federal Fluminense (UFF).
O evento reuniu pesquisadores, especialistas em clima, formuladores de políticas públicas, representantes da indústria e organizações da sociedade civil para discutir o papel da Inteligência Artificial no enfrentamento das mudanças climáticas, com foco em estratégias de mitigação, adaptação, monitoramento ambiental e inovação tecnológica aplicada a desafios reais.
Representando a Brazil Flying Labs, participaram Diego Ferruzzo, Juliana Berbert, e Marcelo Camargo, contribuindo para os debates sobre o uso de tecnologias digitais, dados geoespaciais, sensoriamento remoto e ferramentas computacionais abertas para apoiar ações climáticas.
Durante o simpósio, a equipe também apresentou o trabalho científico “An Open-Source Python Library for Reproducible Wildfire Burn Severity Assessment”, desenvolvido por pesquisadores da Brazil Flying Labs, da Universidade Federal do ABC (UFABC) e da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).
O estudo apresenta uma biblioteca Python open-source para avaliação reprodutível da severidade de queimadas, utilizando imagens do satélite Sentinel-2 processadas no Google Earth Engine. A solução automatiza etapas como aquisição de dados, configuração temporal, geração de mosaicos, cálculo de índices espectrais e produção de estatísticas por classe de severidade.
A apresentação reforçou a importância de soluções baseadas em ciência aberta para apoiar o monitoramento ambiental, a resposta a desastres e a tomada de decisão em contextos de mudança climática. Ao tornar o processo de avaliação mais reprodutível, a biblioteca contribui para aproximar pesquisa científica, tecnologia operacional e aplicações práticas em campo.
A participação da Brazil Flying Labs no WS-AI4CCAM fortalece o compromisso da organização com o desenvolvimento de tecnologias acessíveis, colaborativas e orientadas a impacto social e ambiental. O simpósio também abriu oportunidades para novas parcerias, publicações científicas e colaborações internacionais na interface entre Inteligência Artificial, clima, drones, sensoriamento remoto e sustentabilidade.
Mais informações sobre o evento estão disponíveis no site da HAW Hamburg:
A atuação da Força Aérea Brasileira (FAB) em missões internacionais voltou a chamar atenção com sua participação na Força Interina de Segurança das Nações Unidas para Abyei (UNISFA), no Sudão. Mais do que um destaque institucional, a notícia revela algo maior: o uso de drones já deixou de ser apenas uma ferramenta de apoio e passou a ocupar um papel central em operações que exigem segurança, coordenação aérea, resposta humanitária e interoperabilidade entre diferentes países.
Entre março de 2025 e março de 2026, o Capitão Especialista em Controle de Tráfego Aéreo Eduardo Araújo da Silva representou o Brasil na missão, atuando em um ambiente marcado por instabilidade política, desafios logísticos e necessidades humanitárias urgentes. Sua participação envolveu desde apoio direto a comunidades locais — com distribuição de alimentos, água, medicamentos e mosquiteiros — até inspeções de aeródromos, gestão de risco operacional e fortalecimento do uso seguro de sistemas de aeronaves não tripuladas.
Um dos pontos mais relevantes da iniciativa foi a realização do 1º Workshop de Sistemas de Aeronaves Não Tripuladas (UAS) da UNISFA. O encontro reuniu representantes de vários países para discutir padronização de procedimentos, segurança operacional, autorização de voos, mitigação de riscos e coordenação do espaço aéreo em cenários complexos. Em outras palavras, o workshop mostrou que operar drones com eficiência em missões sensíveis não depende apenas da tecnologia embarcada, mas da criação de uma cultura operacional comum entre contingentes multinacionais.
Para a Brazil Flying Labs, esse tipo de notícia reforça uma visão que já faz parte do futuro da aviação não tripulada: drones não são apenas plataformas de captura de dados ou inspeção. Em contextos críticos, eles se tornam instrumentos de consciência situacional, apoio à decisão, proteção de civis e aumento da segurança de operações aéreas e terrestres. Quando inseridos em ambientes complexos, seu valor está diretamente ligado à governança, à capacitação das equipes e à integração com protocolos bem definidos.
Também chama atenção o fato de a experiência brasileira ter contribuído para a harmonização de práticas dentro de uma missão da ONU. Isso mostra que a maturidade no uso de drones passa, necessariamente, por três pilares: qualificação técnica, segurança operacional e coordenação entre múltiplos atores. Não basta voar; é preciso voar com responsabilidade, previsibilidade e alinhamento institucional.
Outro aspecto importante é a dimensão simbólica da participação brasileira. Ao fim da missão, o Capitão Eduardo Silva foi condecorado com a Medalha da Paz das Nações Unidas e tornou-se o primeiro Especialista em Controle de Tráfego Aéreo a atuar como Observador Militar e Oficial de Segurança de Voo em um ambiente operacional dessa complexidade. O reconhecimento evidencia não só a capacidade individual do militar, mas também a relevância crescente do conhecimento aeronáutico e da operação segura de drones em cenários internacionais.
Para o ecossistema de inovação em drones no Brasil, a lição é clara. O avanço do setor depende tanto de desenvolvimento tecnológico quanto de doutrina, treinamento e integração operacional. Missões como essa mostram que o debate sobre drones precisa ir além do equipamento e considerar, com igual peso, os modelos de uso, os fluxos de autorização, a gestão do espaço aéreo e os padrões de segurança.
No fim, a notícia da FAB no Sudão é também uma notícia sobre maturidade operacional. Ela demonstra que, em ambientes complexos, o verdadeiro diferencial não está apenas na presença da tecnologia, mas na capacidade de empregá-la de forma coordenada, segura e útil para objetivos maiores — seja a estabilidade de uma missão de paz, seja a proteção de pessoas em campo.
A participação da Brazil Flying Labs no Lenovo AI for Social Impact Lab marca um passo importante na nossa trajetória de desenvolvimento de soluções tecnológicas aplicadas a desafios socioambientais reais. Ao integrar um programa internacional realizado pela Lenovo em parceria com a Tech To The Rescue (TTTR), passamos a fazer parte de uma rede de organizações selecionadas por seu potencial de transformar conhecimento local e atuação em campo em soluções escaláveis com apoio de inteligência artificial.
O programa foi lançado em setembro de 2024 como parte do AI for Changemakers Accelerator Program, iniciativa da TTTR voltada ao fortalecimento de organizações de impacto por meio de mentoria, capacitação e implementação prática de IA. Dentro desse contexto, o Lenovo AI for Social Impact Lab oferece suporte técnico, ferramentas, hardware, orientação especializada e colaboração direta com tecnólogos para acelerar soluções já enraizadas em desafios concretos.
Na Brazil Flying Labs, essa participação fortaleceu uma frente que consideramos estratégica: o uso de inteligência artificial para transformar dados complexos de sensoriamento remoto em respostas mais claras, rápidas e acionáveis para quem toma decisões no território. Nossa plataforma foi desenvolvida para apoiar processos de avaliação de áreas afetadas por incêndios e priorização de restauração, convertendo imagens de satélite em inteligência prática para gestores e equipes de campo.
Esse avanço é especialmente relevante em contextos de emergência climática. Quando incêndios florestais atingem áreas extensas, a qualidade e a velocidade das decisões influenciam diretamente o planejamento da recuperação ambiental, a priorização de recursos e a resposta institucional. O trabalho desenvolvido no âmbito do laboratório nos ajudou a fortalecer capacidades técnicas e a refinar a forma como aplicamos IA a desafios ambientais reais, conectando tecnologia de ponta a necessidades operacionais concretas.
De acordo com o material publicado pela Lenovo, a solução associada à Brazil Flying Labs pode apoiar até 1.000 gestores territoriais em unidades de conservação no estado de São Paulo e beneficiar indiretamente mais de 15 milhões de pessoas em regiões suscetíveis a incêndios. O mesmo conteúdo destaca que a solução está sendo validada em múltiplos países por meio da rede Flying Labs, ampliando seu potencial de replicação internacional.
Mais do que reconhecimento, a participação no Lenovo AI for Social Impact Lab reforça nossa visão de que a inteligência artificial deve funcionar como infraestrutura de apoio à tomada de decisão em temas ambientais. O valor da tecnologia, nesse caso, não está apenas em automatizar processos, mas em tornar análises complexas mais acessíveis, úteis e escaláveis para quem atua diretamente na gestão do território.
Também é importante destacar que essa experiência nos posiciona dentro de um ecossistema global de inovação orientada por impacto. O laboratório reúne organizações que atuam em diferentes frentes da agenda climática e social, e essa conexão internacional amplia a troca de conhecimento, a validação de abordagens e a construção de soluções mais robustas para desafios compartilhados.
Para a Brazil Flying Labs, fazer parte desse projeto significa seguir avançando na interseção entre tecnologia, ação local e impacto público. É a confirmação de que soluções desenvolvidas a partir do território brasileiro podem dialogar com desafios globais e contribuir de maneira concreta para respostas mais inteligentes à crise climática.
A ascensão da aplicação e operacionalização de drones é uma realidade, seja para fins educativos, operacionais, agrícolas ou mapeamentos de território, a ferramenta está sendo cada vez mais explorada em todo o mundo, incluindo no Brasil. E sendo um veículo aéreo, temos exigências, pautadas nas regulamentações, que precisam ser seguidas para operação desses drones.
A regulamentação de drones no Brasil está estruturada principalmente em três instrumentos normativos:
RBAC-E nº 94 (Regulamento Brasileiro de Aviação Civil Especial) — estabelece os requisitos para aeronaves não tripuladas (drones/RPA) e para seus operadores/pilotos remotos.
ICA 100-40 (Instrução do DECEA) — dispõe sobre o acesso seguro ao espaço aéreo para aeronaves não tripuladas, incluindo procedimentos para autorização de voo.
Legislação complementar da ANATEL — regula homologação de telecomunicações para equipamentos aéreos não tripulados.
Neste post veremos os requisitos com base nesses normativos, com links e referências oficiais.
O que é regulamentado pelo RBAC-E nº 94
O RBAC-E nº 94 é a principal norma da ANAC para drones de uso civil. Ele define:
Idade mínima para pilotar
O regulamento estabelece claramente que todos os pilotos remotos e observadores de RPA devem ser maiores de 18 anos de idade. Isso vale para qualquer operação de drone que não seja exclusivamente aeronave recreativa (aeromodelo).
Certificado Médico Aeronáutico (CMA)
O RBAC-E nº 94 exige que todos os pilotos remotos de RPA Classe 1 ou 2 devem possuir um Certificado Médico Aeronáutico (CMA) válido. Sendo Classe 2 drones com peso máximo de decolagem (PMD) entre 25kg e 150kg, e Classe 1 os drones com PMD superiores a 150kg.
Licença e habilitação do piloto
O regulamento também determina que todos os pilotos remotos que atuarem em operações superiores a 400 pés acima do solo ou operando RPA Classe 1 ou 2 devem ter licença e habilitação emitida ou validada pela ANAC. Isso quer dizer que, em alguns casos, além de ser maior de 18 anos, o operador precisa de licença específica reconhecida pela agência.
Além dessas exigências, o piloto remoto em comando é diretamente responsável pela segurança do voo, respondendo por qualquer exigência jurídica e legislativa sobre a operação.
Requisitos de operação
Ainda no RBAC-E nº 94, o regulamento lista outros requisitos de operação:
Distância mínima de pessoas
É determinado que a operação deve ser realizada de forma a manter a distância mínima de terceiros não envolvidos na operação, que é de 30 metros horizontais.
Obrigatoriedade de seguro
O texto normativo estabelece que todas as operações de aeronaves não tripuladas com peso máximo de decolagem (PMD) acima de 250 g devem ser seguradas contra danos a terceiros, exceto se pertencentes a entidades controladas pelo Estado. Este requisito legal visa proteger terceiros em caso de acidentes.
Documentação “a bordo”
O RBAC-E nº 94 exige que, durante operações, o operador mantenha à disposição os documentos do drone e do piloto para eventual fiscalização — como certificado de inscrição/registro, apólice de seguro, manual de voo, entre outros.
Registro e identificação de drones
O RBAC-E nº 94 prevê que aeronaves não tripuladas devem ser registradas ou inscritas conforme características como peso e tipo de operação. O cadastro é feito no SISANT (Sistema de Aeronaves Não Tripuladas), conforme instrumentos administrativos da ANAC relacionados ao próprio RBAC.
Acesso ao espaço aéreo: ICA 100-40 (DECEA)
Além do RBAC-E nº 94 da ANAC, existe uma norma de procedimento do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) que é obrigatória, a ICA 100-40 — Aeronaves não tripuladas e acesso ao espaço aéreo.
A ICA 100-40 trata de como drones acessam e utilizam o espaço aéreo brasileiro. Ela é editada pelo DECEA (órgão militar responsável pelo controle do espaço aéreo), e complementa o RBAC-E nº 94.
Entre seus principais aspectos:
Define procedimentos para obter autorização de acesso ao espaço aéreo via sistema SARPAS;
Estabelece requisitos de documentação, planos de voo e coordenação com o controle de tráfego aéreo;
Aplica-se a todas as operações de drones no espaço aéreo sob jurisdição do Brasil.
Ou seja, mesmo que a ANAC regulamente requisitos de operador e aeronave, o acesso efetivo ao espaço aéreo depende de conformidade com a ICA 100-40.
Requisitos de telecomunicações (ANATEL)
Além de normas aeronáuticas, os drones precisam estar em conformidade com as regras de frequência e homologação da ANATEL.
Equipamentos emissores de rádio (controle remoto, data-link) devem ser homologados e usados em conformidade com as normas da agência, conforme legislação complementar aplicável.
Resumo dos principais requisitos regulatórios
Requisito
Instrumento normativo
Piloto remoto deve ser ≥ 18 anos
RBAC-E nº 94
Possuir CMA quando aplicável
RBAC-E nº 94
Licença/habilitação para operações específicas
RBAC-E nº 94
Seguro contra danos a terceiros (≥ 250 g)
RBAC-E nº 94
Manter documentação durante operações
RBAC-E nº 94 (derivado)
Cadastro/inscrição no SISANT
RBAC-E nº 94 + atos administrativos
Autorização de acesso ao espaço aéreo
ICA 100-40
Conformidade com regras de telecomunicações
ANATEL
Conclusão
Para operar drones legalmente no Brasil hoje, não basta apenas atender a um único regulamento. A operação segura e dentro da lei exige:
Cumprimento dos requisitos de operador/piloto e aeronave do RBAC-E nº 94 (ANAC);
Obter as autorizações e atender procedimentos do DECEA(ICA 100-40) para acessar o espaço aéreo;
Ter conformidade de homologação de equipamentos conforme ANATEL;
Esse conjunto normativo busca equilibrar o desenvolvimento tecnológico e a segurança das operações, protegendo terceiros envolvidos ou não nos voos e mantendo a segurança do espaço aéreo.
Entre os dias 26 e 28 de janeiro de 2026, o Brazil Flying Labs participou do Global Flying Labs Retreat, realizado presencialmente em Pune, na Índia. O encontro reuniu 38 participantes presenciais e 12 participantes virtuais, representando 26 países, em um momento particularmente simbólico para a rede: a celebração de 10 anos da WeRobotics e 8 anos da Flying Labs Network.
O retreat foi concebido como um espaço de pausa estratégica, reflexão coletiva e construção de futuro. Ao longo de três dias intensos, os participantes revisitaram a trajetória da rede, analisaram aprendizados acumulados e, sobretudo, cocriaram caminhos para os próximos 3 a 5 anos, a partir da apresentação da nova estratégia institucional da WeRobotics.
Representação do Brazil Flying Labs e protagonismo técnico
O Brazil Flying Labs foi representado por Juliana Berbert, que participou ativamente das sessões estratégicas, técnicas e de intercâmbio cultural. Durante o retreat, Juliana apresentou o trabalho desenvolvido pelo BFL na área de avaliação de incêndios florestais (wildfire assessment), com foco no uso integrado de imagens de satélite, análise de dados e apoio à tomada de decisão em contextos de risco ambiental.
A apresentação despertou forte interesse entre os participantes e resultou em um avanço concreto: a articulação de um grupo inicial com cinco outros Flying Labs, que se comprometeram a iniciar conjuntamente a fase de testes e validação da solução, em diferentes contextos territoriais. Esse desdobramento reforça o papel do Brazil Flying Labs como um polo de inovação aplicada, capaz de transformar conhecimento técnico em colaboração internacional e impacto real.
Troca de conhecimento, rede e cultura
Além das sessões estratégicas, o retreat foi marcado por momentos de compartilhamento de soluções reais, nos quais os Flying Labs apresentaram projetos em andamento, desafios enfrentados e abordagens locais para problemas globais. As sessões de networking foram pautadas por conversas francas, escuta ativa e fortalecimento de vínculos entre regiões.
O intercâmbio cultural também ocupou um lugar central na experiência. Os participantes tiveram a oportunidade de aprender danças tradicionais indianas, experimentar a culinária local e compartilhar expressões culturais de diferentes partes do mundo, fortalecendo o senso de pertencimento e diversidade da rede.
Como parte da programação, o grupo realizou ainda uma visita às Karla Buddhist Caves, um complexo monástico com mais de 2.000 anos de história, proporcionando um momento de conexão profunda com o patrimônio histórico e espiritual da região.
Uma rede verdadeiramente global
O retreat contou com a participação presencial de Flying Labs de Bolívia, Butão, Brasil, Burkina Faso, Camarões, Jamaica, Índia, Malásia, México, Marrocos, Moçambique, Nepal, Panamá, Filipinas, Senegal e Zâmbia, além da participação virtual de Bangladesh, Japão, Quênia, Namíbia, África do Sul, Togo, Uganda e Zimbábue. Essa diversidade geográfica reforçou o caráter global da rede e a potência da colaboração distribuída.
O evento foi generosamente sediado no campus do India Flying Labs, no ISDS MKSSS Campus, cuja hospitalidade foi essencial para o sucesso do encontro.
Olhando para o futuro
A participação do Brazil Flying Labs no Global Flying Labs Retreat 2026 reafirma o compromisso do laboratório com inovação responsável, cooperação internacional e soluções tecnológicas orientadas ao impacto socioambiental. O avanço da iniciativa de wildfire assessment para uma fase colaborativa de testes e validação internacional é um exemplo concreto de como a rede Flying Labs transforma encontros estratégicos em ações coordenadas e resultados tangíveis.
Mais do que um encontro, o retreat foi um marco coletivo, um espaço onde passado, presente e futuro se encontraram para fortalecer uma rede que segue crescendo, aprendendo e inovando, com os pés no território e o olhar no mundo.