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  • Brasil, drones e missões de paz: o que a atuação da FAB no Sudão ensina sobre operações aéreas em ambientes complexos

    Brasil, drones e missões de paz: o que a atuação da FAB no Sudão ensina sobre operações aéreas em ambientes complexos

    A atuação da Força Aérea Brasileira (FAB) em missões internacionais voltou a chamar atenção com sua participação na Força Interina de Segurança das Nações Unidas para Abyei (UNISFA), no Sudão. Mais do que um destaque institucional, a notícia revela algo maior: o uso de drones já deixou de ser apenas uma ferramenta de apoio e passou a ocupar um papel central em operações que exigem segurança, coordenação aérea, resposta humanitária e interoperabilidade entre diferentes países.

    Entre março de 2025 e março de 2026, o Capitão Especialista em Controle de Tráfego Aéreo Eduardo Araújo da Silva representou o Brasil na missão, atuando em um ambiente marcado por instabilidade política, desafios logísticos e necessidades humanitárias urgentes. Sua participação envolveu desde apoio direto a comunidades locais — com distribuição de alimentos, água, medicamentos e mosquiteiros — até inspeções de aeródromos, gestão de risco operacional e fortalecimento do uso seguro de sistemas de aeronaves não tripuladas.

    Um dos pontos mais relevantes da iniciativa foi a realização do 1º Workshop de Sistemas de Aeronaves Não Tripuladas (UAS) da UNISFA. O encontro reuniu representantes de vários países para discutir padronização de procedimentos, segurança operacional, autorização de voos, mitigação de riscos e coordenação do espaço aéreo em cenários complexos. Em outras palavras, o workshop mostrou que operar drones com eficiência em missões sensíveis não depende apenas da tecnologia embarcada, mas da criação de uma cultura operacional comum entre contingentes multinacionais.

    Para a Brazil Flying Labs, esse tipo de notícia reforça uma visão que já faz parte do futuro da aviação não tripulada: drones não são apenas plataformas de captura de dados ou inspeção. Em contextos críticos, eles se tornam instrumentos de consciência situacional, apoio à decisão, proteção de civis e aumento da segurança de operações aéreas e terrestres. Quando inseridos em ambientes complexos, seu valor está diretamente ligado à governança, à capacitação das equipes e à integração com protocolos bem definidos.

    Também chama atenção o fato de a experiência brasileira ter contribuído para a harmonização de práticas dentro de uma missão da ONU. Isso mostra que a maturidade no uso de drones passa, necessariamente, por três pilares: qualificação técnica, segurança operacional e coordenação entre múltiplos atores. Não basta voar; é preciso voar com responsabilidade, previsibilidade e alinhamento institucional.

    Outro aspecto importante é a dimensão simbólica da participação brasileira. Ao fim da missão, o Capitão Eduardo Silva foi condecorado com a Medalha da Paz das Nações Unidas e tornou-se o primeiro Especialista em Controle de Tráfego Aéreo a atuar como Observador Militar e Oficial de Segurança de Voo em um ambiente operacional dessa complexidade. O reconhecimento evidencia não só a capacidade individual do militar, mas também a relevância crescente do conhecimento aeronáutico e da operação segura de drones em cenários internacionais.

    Para o ecossistema de inovação em drones no Brasil, a lição é clara. O avanço do setor depende tanto de desenvolvimento tecnológico quanto de doutrina, treinamento e integração operacional. Missões como essa mostram que o debate sobre drones precisa ir além do equipamento e considerar, com igual peso, os modelos de uso, os fluxos de autorização, a gestão do espaço aéreo e os padrões de segurança.

    No fim, a notícia da FAB no Sudão é também uma notícia sobre maturidade operacional. Ela demonstra que, em ambientes complexos, o verdadeiro diferencial não está apenas na presença da tecnologia, mas na capacidade de empregá-la de forma coordenada, segura e útil para objetivos maiores — seja a estabilidade de uma missão de paz, seja a proteção de pessoas em campo.

    Referência:
    Defesa Aérea & Naval. FAB lidera iniciativas com drones em missão de paz da ONU no Sudão. Publicado em 10 de abril de 2026.

  • Brazil Flying Labs no Lenovo AI for Social Impact Lab: IA para ampliar respostas à crise climática

    Brazil Flying Labs no Lenovo AI for Social Impact Lab: IA para ampliar respostas à crise climática

    A participação da Brazil Flying Labs no Lenovo AI for Social Impact Lab marca um passo importante na nossa trajetória de desenvolvimento de soluções tecnológicas aplicadas a desafios socioambientais reais. Ao integrar um programa internacional realizado pela Lenovo em parceria com a Tech To The Rescue (TTTR), passamos a fazer parte de uma rede de organizações selecionadas por seu potencial de transformar conhecimento local e atuação em campo em soluções escaláveis com apoio de inteligência artificial.

    O programa foi lançado em setembro de 2024 como parte do AI for Changemakers Accelerator Program, iniciativa da TTTR voltada ao fortalecimento de organizações de impacto por meio de mentoria, capacitação e implementação prática de IA. Dentro desse contexto, o Lenovo AI for Social Impact Lab oferece suporte técnico, ferramentas, hardware, orientação especializada e colaboração direta com tecnólogos para acelerar soluções já enraizadas em desafios concretos.

    Na Brazil Flying Labs, essa participação fortaleceu uma frente que consideramos estratégica: o uso de inteligência artificial para transformar dados complexos de sensoriamento remoto em respostas mais claras, rápidas e acionáveis para quem toma decisões no território. Nossa plataforma foi desenvolvida para apoiar processos de avaliação de áreas afetadas por incêndios e priorização de restauração, convertendo imagens de satélite em inteligência prática para gestores e equipes de campo.

    Esse avanço é especialmente relevante em contextos de emergência climática. Quando incêndios florestais atingem áreas extensas, a qualidade e a velocidade das decisões influenciam diretamente o planejamento da recuperação ambiental, a priorização de recursos e a resposta institucional. O trabalho desenvolvido no âmbito do laboratório nos ajudou a fortalecer capacidades técnicas e a refinar a forma como aplicamos IA a desafios ambientais reais, conectando tecnologia de ponta a necessidades operacionais concretas.

    De acordo com o material publicado pela Lenovo, a solução associada à Brazil Flying Labs pode apoiar até 1.000 gestores territoriais em unidades de conservação no estado de São Paulo e beneficiar indiretamente mais de 15 milhões de pessoas em regiões suscetíveis a incêndios. O mesmo conteúdo destaca que a solução está sendo validada em múltiplos países por meio da rede Flying Labs, ampliando seu potencial de replicação internacional.

    Mais do que reconhecimento, a participação no Lenovo AI for Social Impact Lab reforça nossa visão de que a inteligência artificial deve funcionar como infraestrutura de apoio à tomada de decisão em temas ambientais. O valor da tecnologia, nesse caso, não está apenas em automatizar processos, mas em tornar análises complexas mais acessíveis, úteis e escaláveis para quem atua diretamente na gestão do território.

    Também é importante destacar que essa experiência nos posiciona dentro de um ecossistema global de inovação orientada por impacto. O laboratório reúne organizações que atuam em diferentes frentes da agenda climática e social, e essa conexão internacional amplia a troca de conhecimento, a validação de abordagens e a construção de soluções mais robustas para desafios compartilhados.

    Para a Brazil Flying Labs, fazer parte desse projeto significa seguir avançando na interseção entre tecnologia, ação local e impacto público. É a confirmação de que soluções desenvolvidas a partir do território brasileiro podem dialogar com desafios globais e contribuir de maneira concreta para respostas mais inteligentes à crise climática.

    Referência

    Lenovo StoryHub — AI innovation meets climate action

    Lenovo launches AI for Social Impact Lab

  • Como ser operador de drone no Brasil: guia completo com base na regulamentação 

    Como ser operador de drone no Brasil: guia completo com base na regulamentação 

    Leia em 5 minutos

    A ascensão da aplicação e operacionalização de drones é uma realidade, seja para fins educativos, operacionais, agrícolas ou mapeamentos de território, a ferramenta está sendo cada vez mais explorada em todo o mundo, incluindo no Brasil. E sendo um veículo aéreo, temos exigências, pautadas nas regulamentações, que precisam ser seguidas para operação desses drones. 

    A regulamentação de drones no Brasil está estruturada principalmente em três instrumentos normativos: 

    RBAC-E nº 94 (Regulamento Brasileiro de Aviação Civil Especial) — estabelece os requisitos para aeronaves não tripuladas (drones/RPA) e para seus operadores/pilotos remotos.  

    ICA 100-40 (Instrução do DECEA) — dispõe sobre o acesso seguro ao espaço aéreo para aeronaves não tripuladas, incluindo procedimentos para autorização de voo.  

    Legislação complementar da ANATEL — regula homologação de telecomunicações para equipamentos aéreos não tripulados.  

    Neste post veremos os requisitos com base nesses normativos, com links e referências oficiais. 

    O que é regulamentado pelo RBAC-E nº 94 

    O RBAC-E nº 94 é a principal norma da ANAC para drones de uso civil. Ele define: 

    Idade mínima para pilotar 

    O regulamento estabelece claramente que todos os pilotos remotos e observadores de RPA devem ser maiores de 18 anos de idade. Isso vale para qualquer operação de drone que não seja exclusivamente aeronave recreativa (aeromodelo). 

    Certificado Médico Aeronáutico (CMA) 

    O RBAC-E nº 94 exige que todos os pilotos remotos de RPA Classe 1 ou 2 devem possuir um Certificado Médico Aeronáutico (CMA) válido. Sendo Classe 2 drones com peso máximo de decolagem (PMD) entre 25kg e 150kg, e Classe 1 os drones com PMD superiores a 150kg. 

    Licença e habilitação do piloto 

    O regulamento também determina que todos os pilotos remotos que atuarem em operações superiores a 400 pés acima do solo ou operando RPA Classe 1 ou 2 devem ter licença e habilitação emitida ou validada pela ANAC. Isso quer dizer que, em alguns casos, além de ser maior de 18 anos, o operador precisa de licença específica reconhecida pela agência. 

    Além dessas exigências, o piloto remoto em comando é diretamente responsável pela segurança do voo, respondendo por qualquer exigência jurídica e legislativa sobre a operação. 

    Requisitos de operação 

    Ainda no RBAC-E nº 94, o regulamento lista outros requisitos de operação: 

    Distância mínima de pessoas 

    É determinado que a operação deve ser realizada de forma a manter a distância mínima de terceiros não envolvidos na operação, que é de 30 metros horizontais. 

    Obrigatoriedade de seguro 

    O texto normativo estabelece que todas as operações de aeronaves não tripuladas com peso máximo de decolagem (PMD) acima de 250 g devem ser seguradas contra danos a terceiros, exceto se pertencentes a entidades controladas pelo Estado. Este requisito legal visa proteger terceiros em caso de acidentes. 

    Documentação “a bordo” 

    O RBAC-E nº 94 exige que, durante operações, o operador mantenha à disposição os documentos do drone e do piloto para eventual fiscalização — como certificado de inscrição/registro, apólice de seguro, manual de voo, entre outros.  

    Registro e identificação de drones 

    O RBAC-E nº 94 prevê que aeronaves não tripuladas devem ser registradas ou inscritas conforme características como peso e tipo de operação. O cadastro é feito no SISANT (Sistema de Aeronaves Não Tripuladas), conforme instrumentos administrativos da ANAC relacionados ao próprio RBAC.  

    Acesso ao espaço aéreo: ICA 100-40 (DECEA) 

    Além do RBAC-E nº 94 da ANAC, existe uma norma de procedimento do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) que é obrigatória, a ICA 100-40 — Aeronaves não tripuladas e acesso ao espaço aéreo. 

    A ICA 100-40 trata de como drones acessam e utilizam o espaço aéreo brasileiro. Ela é editada pelo DECEA (órgão militar responsável pelo controle do espaço aéreo), e complementa o RBAC-E nº 94.  

    Entre seus principais aspectos: 

    • Define procedimentos para obter autorização de acesso ao espaço aéreo via sistema SARPAS; 
    • Estabelece requisitos de documentação, planos de voo e coordenação com o controle de tráfego aéreo; 
    • Aplica-se a todas as operações de drones no espaço aéreo sob jurisdição do Brasil.  

    Ou seja, mesmo que a ANAC regulamente requisitos de operador e aeronave, o acesso efetivo ao espaço aéreo depende de conformidade com a ICA 100-40

    Requisitos de telecomunicações (ANATEL) 

    Além de normas aeronáuticas, os drones precisam estar em conformidade com as regras de frequência e homologação da ANATEL

    Equipamentos emissores de rádio (controle remoto, data-link) devem ser homologados e usados em conformidade com as normas da agência, conforme legislação complementar aplicável.  

    Resumo dos principais requisitos regulatórios 

    Requisito Instrumento normativo 
    Piloto remoto deve ser ≥ 18 anos RBAC-E nº 94 
    Possuir CMA quando aplicável RBAC-E nº 94 
    Licença/habilitação para operações específicas RBAC-E nº 94 
    Seguro contra danos a terceiros (≥ 250 g) RBAC-E nº 94 
    Manter documentação durante operações RBAC-E nº 94 (derivado) 
    Cadastro/inscrição no SISANT RBAC-E nº 94 + atos administrativos 
    Autorização de acesso ao espaço aéreo ICA 100-40 
    Conformidade com regras de telecomunicações ANATEL 

    Conclusão 

    Para operar drones legalmente no Brasil hoje, não basta apenas atender a um único regulamento. A operação segura e dentro da lei exige: 

    • Cumprimento dos requisitos de operador/piloto e aeronave do RBAC-E nº 94 (ANAC);  
    • Obter as autorizações e atender procedimentos do DECEA (ICA 100-40) para acessar o espaço aéreo;  
    • Ter conformidade de homologação de equipamentos conforme ANATEL;  

    Esse conjunto normativo busca equilibrar o desenvolvimento tecnológico e a segurança das operações, protegendo terceiros envolvidos ou não nos voos e mantendo a segurança do espaço aéreo. 

    Escrito por Fernanda Siniscalchi e Theo Garcia. 

  • Brazil Flying Labs no Global Flying Labs Retreat 2026: colaboração global, estratégia e inovação

    Brazil Flying Labs no Global Flying Labs Retreat 2026: colaboração global, estratégia e inovação

    Leia em 3 minutos

    Entre os dias 26 e 28 de janeiro de 2026, o Brazil Flying Labs participou do Global Flying Labs Retreat, realizado presencialmente em Pune, na Índia. O encontro reuniu 38 participantes presenciais e 12 participantes virtuais, representando 26 países, em um momento particularmente simbólico para a rede: a celebração de 10 anos da WeRobotics e 8 anos da Flying Labs Network.

    O retreat foi concebido como um espaço de pausa estratégica, reflexão coletiva e construção de futuro. Ao longo de três dias intensos, os participantes revisitaram a trajetória da rede, analisaram aprendizados acumulados e, sobretudo, cocriaram caminhos para os próximos 3 a 5 anos, a partir da apresentação da nova estratégia institucional da WeRobotics.

    Representação do Brazil Flying Labs e protagonismo técnico

    O Brazil Flying Labs foi representado por Juliana Berbert, que participou ativamente das sessões estratégicas, técnicas e de intercâmbio cultural. Durante o retreat, Juliana apresentou o trabalho desenvolvido pelo BFL na área de avaliação de incêndios florestais (wildfire assessment), com foco no uso integrado de imagens de satélite, análise de dados e apoio à tomada de decisão em contextos de risco ambiental.

    A apresentação despertou forte interesse entre os participantes e resultou em um avanço concreto: a articulação de um grupo inicial com cinco outros Flying Labs, que se comprometeram a iniciar conjuntamente a fase de testes e validação da solução, em diferentes contextos territoriais. Esse desdobramento reforça o papel do Brazil Flying Labs como um polo de inovação aplicada, capaz de transformar conhecimento técnico em colaboração internacional e impacto real.

    Troca de conhecimento, rede e cultura

    Além das sessões estratégicas, o retreat foi marcado por momentos de compartilhamento de soluções reais, nos quais os Flying Labs apresentaram projetos em andamento, desafios enfrentados e abordagens locais para problemas globais. As sessões de networking foram pautadas por conversas francas, escuta ativa e fortalecimento de vínculos entre regiões.

    O intercâmbio cultural também ocupou um lugar central na experiência. Os participantes tiveram a oportunidade de aprender danças tradicionais indianas, experimentar a culinária local e compartilhar expressões culturais de diferentes partes do mundo, fortalecendo o senso de pertencimento e diversidade da rede.

    Como parte da programação, o grupo realizou ainda uma visita às Karla Buddhist Caves, um complexo monástico com mais de 2.000 anos de história, proporcionando um momento de conexão profunda com o patrimônio histórico e espiritual da região.

    Uma rede verdadeiramente global

    O retreat contou com a participação presencial de Flying Labs de Bolívia, Butão, Brasil, Burkina Faso, Camarões, Jamaica, Índia, Malásia, México, Marrocos, Moçambique, Nepal, Panamá, Filipinas, Senegal e Zâmbia, além da participação virtual de Bangladesh, Japão, Quênia, Namíbia, África do Sul, Togo, Uganda e Zimbábue. Essa diversidade geográfica reforçou o caráter global da rede e a potência da colaboração distribuída.

    O evento foi generosamente sediado no campus do India Flying Labs, no ISDS MKSSS Campus, cuja hospitalidade foi essencial para o sucesso do encontro.

    Olhando para o futuro

    A participação do Brazil Flying Labs no Global Flying Labs Retreat 2026 reafirma o compromisso do laboratório com inovação responsável, cooperação internacional e soluções tecnológicas orientadas ao impacto socioambiental. O avanço da iniciativa de wildfire assessment para uma fase colaborativa de testes e validação internacional é um exemplo concreto de como a rede Flying Labs transforma encontros estratégicos em ações coordenadas e resultados tangíveis.

    Mais do que um encontro, o retreat foi um marco coletivo, um espaço onde passado, presente e futuro se encontraram para fortalecer uma rede que segue crescendo, aprendendo e inovando, com os pés no território e o olhar no mundo.

  • Presença irregular de drones em área de aproximação reforça alerta sobre segurança aérea e responsabilidade legal

    Presença irregular de drones em área de aproximação reforça alerta sobre segurança aérea e responsabilidade legal

    Leia em 3 minutos

    O registro recente de drones operando nas proximidades do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, no dia 15 de fevereiro de 2026, reacende um debate urgente sobre segurança operacional, cultura aeronáutica e responsabilidade no uso de aeronaves não tripuladas.

    Independentemente de circunstâncias pontuais, é fundamental compreender que qualquer objeto voador não autorizado em zona de aproximação representa risco real à aviação comercial, executiva e à segurança pública.

    O que acontece quando um drone invade área de aeroporto?

    A presença de drones em áreas de aproximação ou decolagem pode levar a:

    • Suspensão imediata de pousos e decolagens
    • Desvios de aeronaves para aeroportos alternativos
    • Aumento do consumo de combustível
    • Impacto em conexões internacionais
    • Custos operacionais relevantes para companhias aéreas
    • Risco potencial à integridade estrutural de aeronaves

    Em aeroportos de grande movimento como Guarulhos, que opera milhares de passageiros por hora, qualquer interrupção gera efeito cascata em todo o sistema aéreo nacional.

    O que diz a legislação brasileira?

    No Brasil, a operação de drones é regulada por três órgãos principais:

    • ANAC – Regulamentação aeronáutica (RBAC-E 94)
    • DECEA – Controle do espaço aéreo (SARPAS)
    • ANATEL – Homologação de radiofrequência

    É proibido operar drones sem autorização em áreas próximas a aeródromos. Além disso:

    • Voos em zonas de controle (CTR) exigem autorização prévia
    • Operações acima de 120 metros são restritas
    • O operador deve manter linha de visada visual
    • O equipamento deve estar devidamente cadastrado

    A violação dessas regras pode resultar em:

    • Multas administrativas
    • Apreensão do equipamento
    • Responsabilização civil por danos
    • Enquadramento criminal por atentado contra a segurança do transporte aéreo

    Não se trata de uma infração leve. Dependendo do contexto, pode haver implicações penais.

    Drone não é brinquedo

    Um ponto crítico é a percepção pública. A popularização dos drones recreativos trouxe benefícios para fotografia, inspeções, agricultura e mapeamento. No entanto, a facilidade de compra não elimina a complexidade regulatória.

    Um drone operando a poucos quilômetros de um aeroporto pode estar tecnicamente dentro de uma área controlada, mesmo que o operador “não veja avião nenhum”.

    E é aí que mora o perigo.

    A aproximação final de uma aeronave comercial ocorre a baixa altitude e alta velocidade. Um impacto com drone pode causar danos a motores, para-brisa ou superfícies de comando.

    Tecnologia ajuda, mas não resolve sozinha

    Geofencing, identificação remota (Remote ID) e bloqueios automáticos são ferramentas importantes. Porém:

    • Nem todos os equipamentos possuem sistemas ativos
    • Modificações ilegais removem barreiras de segurança
    • Operadores mal-intencionados ignoram alertas

    A solução não é apenas tecnológica — é cultural e educativa.

    O papel da educação e da governança

    Na Brazil Flying Labs, por meio do nosso Hub CAA (Civil Aviation Advisory), defendemos três pilares:

    1. Educação técnica obrigatória para operadores
    2. Fortalecimento da fiscalização inteligente
    3. Campanhas públicas de conscientização

    O uso responsável de drones é essencial para que o setor continue crescendo com segurança.

    Impacto sistêmico

    Quando um aeroporto fecha por presença de drone:

    • Companhias aéreas acumulam prejuízos
    • Passageiros enfrentam atrasos e conexões perdidas
    • O sistema aéreo absorve pressão operacional
    • A imagem do setor de drones sofre desgaste

    Ou seja, a atitude isolada de um operador impacta todo o ecossistema.

    Caminho para frente

    O Brasil possui uma das estruturas regulatórias mais completas da América Latina para drones. O desafio agora é fortalecer:

    • Cultura de conformidade
    • Fiscalização baseada em dados
    • Integração entre autoridades
    • Responsabilização efetiva

    Drones são ferramentas extraordinárias para desenvolvimento econômico, monitoramento ambiental, agricultura de precisão e inovação social. Mas seu uso exige maturidade operacional.

    Segurança aérea não é opcional.

    É fundamento.

    Leia a cobertura original do caso

    Para acompanhar a reportagem jornalística completa com detalhes operacionais e desdobramentos do evento, recomendamos a leitura da matéria publicada pelo portal AEROIN:

    🔗 Aeroporto de Guarulhos é fechado duas vezes na tarde deste domingo de carnaval devido à presença de drones
    Disponível em:
    https://www.aeroin.net/aeroporto-de-guarulhos-e-fechado-duas-vezes-na-tarde-deste-domingo-de-carnaval-devido-a-presenca-de-drones/

  • Technology with Purpose: How Flying Labs Contribute to the Sustainable Development Goals from the Global South and for the Global South

    The WeRobotics marks 10 years of co-creating technological solutions from the Global South and for the Global South, guided by a clear motto: Start local, become global, return local.

    Opinion article written by:

    Mgt. Ronald Beltrán Tórrez
    Bolivia Flying Labs

    Dr. Diego Ferruzzo
    Brazil Flying Labs

    For many years, a large share of technological solutions to the world’s most urgent problems were designed far from the territories where those problems actually occur. Climate change, wildfires, environmental degradation, food insecurity, and the lack of reliable data have often been addressed from headquarters in the Global North, using imported models that do not always align with local realities.

    The Sustainable Development Goals (SDGs) were conceived as a global agenda, but their design and implementation are deeply local. This leads to a key question:
    how can we ensure that technology truly contributes to the SDGs in diverse, complex, and often vulnerable Global South contexts?

    One of the most compelling answers to emerge in recent years is the Flying Labs global network, created by WeRobotics. Guided by the principle Start local, become global, return local, the network co-creates solutions with communities—local solutions with global potential—based on drone technology, data, and AI, serving the people and communities that need them most.

    From “for” the territory to “from” the territory

    The main distinction of the Flying Labs approach is not the technology itself, but the point from which it is co-created and implemented. Rather than importing technological solutions for communities, the focus is on building technological capacity from within communities, grounded in local knowledge and lived experience.

    This shift is essential for generating real SDG impact. When technology is locally owned, it stops being an external tool and becomes a means to strengthen decision-making, territorial resilience, and long-term sustainability.

    In this sense, the WeRobotics Flying Labs global network represents innovation not only at the technological level, but also at organizational and cultural levels.

    Technology with real impact in Latin America

    In Latin America, Flying Labs have shown that technological innovation can be deeply human when it is connected to real territorial needs.

    Solutions co-created and tested in local communities are documented and shared across the network, allowing them to be replicated and improved, enriched by the knowledge, experiences, and needs of other regions around the world.In Bolivia, for example, the use of drones and geospatial data analysis has strengthened wildfire prevention initiatives, directly contributing to SDG 13 (Climate Action) and SDG 15 (Life on Land). Technology has not been used merely to map, but to anticipate risks, support local decision-making, and generate evidence useful to both public and private stakeholders.

    In Brazil, inspired by the Bolivian experience, the Flying Labs network has been working on projects related to environmental monitoring, territorial management, and community support, demonstrating how technology can scale its impact when local knowledge, trust, and inter-institutional collaboration are present.

    In Peru, the Flying Labs network, in collaboration with private technology companies, transports medicines to remote communities, enabling medical care for residents who lack access to basic health services.

    These examples share a common pattern: technology works when there is local ownership and a clear purpose.

    SDGs are not achieved with hardware alone

    One of the main lessons learned from implementing SDG-aligned projects within the Flying Labs network is that hardware alone is not enough. Drones, sensors, and digital platforms are enablers, but real impact occurs when three dimensions are integrated:

    • Local capacity: co-creation of solutions, skills development, knowledge transfer, and territorial leadership grounded in local expertise and experience.
    • Trust: long-term relationships with communities and institutions, ensuring sustainable and lasting solutions.
    • Data governance: ethical, transparent, and context-aware use of information.

    Flying Labs operate precisely at this intersection, where technology is not an end in itself, but a tool serving data-driven decision-making.

    SDGs and South–South collaboration

    Another defining feature of the Flying Labs model is its ability to promote South–South collaboration. Countries facing similar challenges share lessons, experiences, and solutions without relying exclusively on models from the Global North.

    This collaboration is particularly relevant for achieving the SDGs, as it allows solutions to be adapted to contexts with similar budgetary, institutional, and logistical constraints. The Flying Labs network does not standardize responses; it shares capabilities.

    In a world where challenges are increasingly interconnected, this form of collaboration becomes a strategic advantage, with greater potential for sustainability and longevity.

    Key lessons for the future of the SDGs

    In Latin America, the Flying Labs experience offers valuable lessons for any organization seeking to contribute to the Sustainable Development Goals:

    • Technology should solve real problems, not showcase sophistication.
    • Sustainable impact requires local leadership, not external dependency.
    • SDGs are achieved through ecosystems, not isolated projects.
    • The most powerful innovation combines technology, culture, and territory.

    Closing the loop: purpose, technology, and people

    In a world striving to accelerate progress toward the SDGs, the Flying Labs network reminds us of something essential: technology with purpose emerges when we trust people and local knowledge.

    From the Global South and for the Global South, the Flying Labs network demonstrates that it is possible to build technological innovation with real, sustainable, and ethical impact—aligned with the SDGs and deeply connected to local realities.

    More than delivering solutions, it is about building capacities.
    More than innovating quickly, it is about innovating with meaning and purpose.

    Along this path, technology ceases to be the protagonist and becomes what it always should have been: an ally of sustainable human development.

    Mgt. Ronald Beltrán Tórrez
    Bolivia Flying Labs

    Dr. Diego Ferruzzo
    Brazil Flying Labs

  • Tecnologia com propósito: como os Flying Labs contribuem para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável a partir do Sul Global e para o Sul Global

    Tecnologia com propósito: como os Flying Labs contribuem para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável a partir do Sul Global e para o Sul Global

    A WeRobotics completa 10 anos co-criando soluções tecnológicas no Sul Global e para o Sul Global, com o lema: Comece local, torne-se global, retorne ao local.

    Artigo de opinião escrito por:

    Mgt. Ronald Beltrán Tórrez
    Bolivia Flying Labs

    Dr. Diego Ferruzzo
    Brazil Flying Labs

    Durante anos, grande parte das soluções tecnológicas para os problemas mais urgentes do mundo foi concebida longe dos territórios onde esses problemas realmente ocorrem. Mudanças climáticas, incêndios florestais, degradação ambiental, insegurança alimentar ou a falta de dados confiáveis foram enfrentados, muitas vezes, a partir de escritórios centrais no norte global e modelos importados que nem sempre dialogavam com a realidade local onde eram aplicados.

    Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) nasceram como uma agenda global, mas seu desenho e sua implementação são profundamente locais. E é nesse contexto que surge uma pergunta-chave:

    como garantir que a tecnologia realmente contribua para os ODS em contextos diversos, complexos e, muitas vezes, vulneráveis como os do Sul Global?

    Uma das respostas mais interessantes que emergiram nos últimos anos é o modelo da rede global Flying Labs, criado pela WeRobotics. Com o lema: Comece local, torne-se global e retorne ao local, a rede vem co-criando junto às comunidades,  soluções locais com potencial global,  baseadas em tecnologia de drones, dados e IA para as pessoas e comunidades que mais precisam.

    Do “para” ao “a partir do” território

    A principal diferença da abordagem dos Flying Labs não está na tecnologia em si, mas no ponto de partida de onde ela é co-criada e implementada. Não se trata de importar soluções tecnológicas “para” as comunidades, mas de construir capacidades tecnológicas a partir das próprias comunidades, tendo como base o conhecimento e a experiência locais.

    Essa mudança de enfoque é fundamental para gerar impacto real nos ODS. Quando a tecnologia é apropriada localmente, ela deixa de ser uma ferramenta externa e passa a ser um meio para fortalecer a tomada de decisão, a resiliência territorial e a sustentabilidade de longo prazo.

    Nesse sentido, a rede global Flying Labs da WeRobotics representa uma inovação não apenas tecnológica, mas também organizacional e cultural.

    Tecnologia com impacto real na América Latina

    Na América Latina, os Flying Labs têm demonstrado que a inovação tecnológica pode ser profundamente humana quando conectada às necessidades reais do território.

    As soluções co-criadas e testadas nas comunidades locais são documentadas e compartilhadas com toda a rede, permitindo que sejam replicadas e aprimoradas, enriquecendo-se a partir dos conhecimentos, experiências e necessidades locais de outras regiões do globo.

    Na Bolívia, por exemplo, o uso de drones e a análise de dados geoespaciais têm fortalecido iniciativas de prevenção de incêndios florestais, contribuindo diretamente para o ODS 13 (Ação contra a mudança do clima) e o ODS 15 (Vida terrestre). A tecnologia não foi utilizada apenas para mapear, mas para antecipar riscos, apoiar decisões locais e gerar evidências úteis para atores públicos e privados.

    No Brasil, inspirada pela experiência boliviana, a rede Flying Labs vem atuando em projetos relacionados ao monitoramento ambiental, à gestão territorial e ao apoio às comunidades, demonstrando como a tecnologia pode escalar seu impacto quando há conhecimento local, confiança e colaboração interinstitucional.

    No Peru, a rede Flying Labs, em colaboração com empresas privadas do setor de tecnologia, transporta medicamentos para comunidades remotas, possibilitando atendimento médico a moradores que não têm acesso a serviços básicos de saúde.

    Esses exemplos compartilham um mesmo padrão: a tecnologia funciona quando há apropriação local e propósito claro.

    Os ODS não são alcançados apenas com hardware

    Um dos principais aprendizados na implementação de projetos alinhados aos ODS na rede Flying Labs  é que o hardware, por si só, não é suficiente. Drones, sensores e plataformas digitais são facilitadores, mas o impacto real acontece quando três dimensões são integradas:

    1. Capacidade local: co-criação de soluções, fortalecimento da formação, transferência de conhecimento e liderança territorial, tendo como base o saber e a experiência locais.
    2. Confiança: relações de longo prazo com comunidades e instituições, garantindo soluções sustentáveis e duradouras.
    3. Governança de dados: uso ético, transparente e contextualizado das informações.

    Os Flying Labs atuam justamente nessa interseção, onde a tecnologia não é um fim em si mesma, mas uma ferramenta a serviço da tomada de decisão baseada em dados.

    ODS e colaboração Sul–Sul

    Outro elemento que diferencia o modelo Flying Labs é sua capacidade de promover a colaboração Sul–Sul. Países com desafios semelhantes compartilham aprendizados, experiências e soluções sem depender exclusivamente de modelos do Norte Global.

    Essa colaboração é especialmente relevante para o alcance dos ODS, pois permite adaptar soluções a contextos com limitações orçamentárias, institucionais e logísticas semelhantes. A rede Flying Labs não padroniza respostas; ela compartilha capacidades.

    Em um mundo onde os desafios estão cada vez mais interconectados, essa forma de colaboração se torna uma vantagem estratégica, com maiores chances de ser autossustentável e duradoura.

    Lições-chave para o futuro dos ODS

    Na América Latina, a experiência da rede Flying Labs deixa aprendizados valiosos para qualquer organização interessada em contribuir para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável:

    • A tecnologia deve resolver problemas reais, não demonstrar sofisticação.
    • O impacto sustentável exige liderança local, não dependência externa.
    • Os ODS são alcançados por meio de ecossistemas, não de projetos isolados.
    • A inovação mais poderosa é aquela que combina tecnologia, cultura e território.

    Fechando o ciclo: propósito, tecnologia e pessoas

    Em um mundo que busca acelerar o cumprimento dos ODS, a abordagem da rede Flying Labs nos lembra de algo essencial: a tecnologia com propósito nasce quando se confia nas pessoas e no conhecimento local.

    A partir do Sul Global e para o Sul Global, a rede Flying Labs demonstra que é possível construir inovação tecnológica com impacto real, sustentável e ético, alinhada aos ODS e profundamente conectada às realidades locais.

    Mais do que levar soluções, trata-se de criar capacidades.

    Mais do que inovar rapidamente, trata-se de inovar com sentido e propósito.

    E, nesse caminho, a tecnologia deixa de ser protagonista para se tornar aquilo que sempre deveria ter sido: uma aliada do desenvolvimento humano sustentável.

    Mgt. Ronald Beltrán Tórrez
    Bolivia Flying Labs

    Dr. Diego Ferruzzo
    Brazil Flying Labs

  • Brazil Flying Labs x Tech To The Rescue: Construindo uma Solução de IA para Avaliação de Incêndios Florestais

    Brazil Flying Labs x Tech To The Rescue: Construindo uma Solução de IA para Avaliação de Incêndios Florestais

    Empolgado em compartilhar um projeto incrível do Brazil Flying Labs. Nós fizemos parceria com a TechToTheRescue para desenvolver uma ferramenta de Avaliação de Incêndios Florestais impulsionada por IA, para mapeamento de severidade de fogo em reservas florestais de São Paulo — como as devastadas Estações Luiz Antônio e Jataí após os incêndios de 2024.

    O desafio: Incêndios massivos ameaçam a biodiversidade, os recursos hídricos e o patrimônio, exigindo uma avaliação de danos rápida e precisa. Nossa solução utiliza imagens de satélite Sentinel-2, índices espectrais (NDVI, NBR, RBR) e IA para gerar mapas interativos de severidade, calcular áreas queimadas em hectares e classificar danos como leve, moderado ou intenso. É open-source (licença MIT no GitHub) para transparência e escalabilidade.

    Confira este vídeo destacando nossa jornada:

    Componentes principais:

    • API: Construída com Python, Django REST Framework e Google Earth Engine para consulta de reservas e análise de períodos.
    • Frontend: Aplicativo baseado em React para seleção de dados, downloads (geoTIFF, JPEG) e integração com GIS (ex.: QGIS).
    • Treinamento: Curso de 35 horas em geoprocessamento, sensoriamento remoto, Python e IA para equipes técnicas.

    Agradecimentos especiais a:

    • Sonja Betschart, CEO da WeRobotics, pelo apoio inabalável e pela oportunidade de colaborar com a TTTR.
    • Alice Damasceno da Lenovo pelo financiamento e parceria.
    • Daniel Shanklin e Rhea AI pela expertise em desenvolvimento front-end e importante doação.
    • UGADS Jundiaí, CREAS Cajamar, EGP Jundiaí e Iron Mountain pelo apoio ao treinamento em Python em comunidades locais — um participante contribuiu diretamente para este projeto.
    • A dedicada equipe do Brazil Flying Labs, incluindo Diego Paolo Ferruzzo Correa, Diogo Dias, Wellington Franklyn, Juliana Berbert e Reginaldo Cardoso.

    Orgulhoso do que construímos juntos e do impacto real que já está gerando para a conservação ambiental.

  • Brazil Flying Labs no Summit Agenda SP+Verde (Pré-COP30) – Caminhando para 2026 com parcerias estratégicas

    Brazil Flying Labs no Summit Agenda SP+Verde (Pré-COP30) – Caminhando para 2026 com parcerias estratégicas

    Leia em 3 minutos

    Nos dias 4 e 5 de novembro de 2025, em São Paulo, a capital paulista recebeu o importante evento de transição climática e sustentabilidade Summit Agenda SP+Verde, organizado pelo Governo do Estado de São Paulo, a Prefeitura de São Paulo e a Universidade de São Paulo (USP).

    O evento reuniu mais de 500 palestrantes, 100 de­bates em sete palcos, e propôs uma imersão prática em economia verde, transição energética, cidades resilientes e justiça climática.

    A Brazil Flying Labs esteve presente com Diego Ferruzzo (Diretor Executivo) e Juliana Berbert (Especialista em Educação STEM) para participar dos painéis, fortalecer o networking com autoridades e iniciar conversas estratégicas com representantes do governo estadual e da Fundação Florestal do Estado de São Paulo (com quem já temos projetos em andamento) visando novas iniciativas para 2026.

    Durante o evento, destacaram-se os seguintes pontos:

    • A presença de Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, no painel de abertura, simbolizando o compromisso institucional com a agenda climática e de desenvolvimento verde.
    • A atuação do Brasil e de São Paulo como palco de engajamento para a COP30, que será realizada em novembro em Belém, fortalecendo o papel da mobilização do governo e da sociedade civil.
    • A convergência com nossa visão de capacitação local e uso de drones para conservação ambiental, conforme descrito em nossa missão institucional.

    Aproveitamos o encontro para discutir a evolução do projeto de avaliação da severidade de fogo em florestas, desenvolvido pela Brazil Flying Labs em 2025 em parceria com a Fundação Florestal do Estado de São Paulo, e para planejar novas ações conjuntas para 2026.
    Essas iniciativas têm como foco o uso de imagens de satélites, o uso de drones, o geoprocessamento e inteligência artificial em prol da conservação ambiental, monitoramento de ecossistemas e proteção da biodiversidade.

    A presença da Brazil Flying Labs no Summit reafirma nosso compromisso de ser ponte entre tecnologia, educação e impacto socioambiental — fomentando a construção de cidades mais resilientes, qualificando jovens para o futuro e integrando inovação e conservação.

    Convidamos nossos parceiros, apoiadores e comunidade a acompanhar conosco esta nova fase. Para 2026, estamos prontos para voar ainda mais alto.

    Se você ou sua instituição desejam se engajar em projetos de educação STEM, tecnologia de drones ou conservação ambiental, entre em contato conosco. Vamos juntos transformar conhecimento em impacto real.

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  • Brazil Flying Labs apresenta o projeto Post Fire Assessment no Aerovision 2025 da UFABC

    Brazil Flying Labs apresenta o projeto Post Fire Assessment no Aerovision 2025 da UFABC

    Leia em 5 minutos

    Nos dias 16 e 17 de outubro, a Universidade Federal do ABC (UFABC) sediou mais uma edição do Aerovision, conferência anual promovida pelo IEEE AESS UFABC que reúne especialistas da indústria, pesquisadores e estudantes para debater inovação e avanços em engenharia aeroespacial, drones, defesa e tecnologias aplicadas.

    Entre grandes nomes da área e empresas como Embraer, Saab, Thales, Orbital Engenharia, Mac Jee, SIATT, CISB, Agência Espacial Brasileira, entre outras.

    A Brazil Flying Labs foi uma das patrocinadoras do evento em 2025 e participou da programação do primeiro dia do evento com a apresentação:

    “Drones que Transformam Vidas: Inovação e Impacto Social da Brazil Flying Labs”, conduzida por Marcelo Camargo (Diretor de Engenharia da Brazil Flying Labs) e Diego Ferruzzo (professor da UFABC e pesquisador em sistemas de controle de VANTs).

    Durante a apresentação, foi destacado o trabalho de inovação e impacto socioambiental realizado pela Brazil Flying Labs no uso de robótica, drones e inteligência artificial aplicada à conservação ambiental, com foco especial no projeto Post Fire Assessment — uma iniciativa voltada ao monitoramento de incêndios florestais e à avaliação de danos ambientais.

    🌍 Post Fire Assessment: tecnologia aberta para proteção ambiental

    O projeto Post Fire Assessment surgiu como resposta aos incêndios que atingiram as Estações Ecológicas de Luiz Antônio e Jataí, em São Paulo, em 2024 — episódios que destruíram mais de 70% da área da Estação Jataí, representando uma grave ameaça à biodiversidade, aos recursos hídricos e ao patrimônio natural e histórico.

    Diante dessa realidade, a Brazil Flying Labs desenvolveu uma plataforma aberta de monitoramento e análise de queimadas, combinando imagens de satélite Sentinel-2, geoprocessamento e inteligência artificial para identificar e quantificar danos de forma automatizada e acessível.

    O sistema calcula índices espectrais como NDVI (Normalized Difference Vegetation Index) e NBR (Normalized Burn Ratio) antes e depois do incêndio, gerando indicadores diferenciais (ΔNDVI e ΔNBR) e o índice normalizado RBR (Relative Burn Ratio) — que permite comparar a severidade das queimadas entre diferentes regiões.

    Esses dados são transformados em mapas temáticos interativos e indicadores quantitativos (área queimada em hectares e nível de severidade), apoiando órgãos ambientais, pesquisadores e gestores públicos nas ações de planejamento de restauração, mitigação e prevenção de novos incêndios.

    💡 Código aberto e integração com GIS

    Um dos diferenciais do projeto é sua abordagem aberta e colaborativa.
    Todo o código-fonte é disponibilizado sob licença MIT, permitindo que outras instituições adaptem e integrem as ferramentas em seus próprios sistemas.

    A API do projeto foi documentada em Swagger (OpenAPI 3.0), facilitando o acesso programático aos dados de severidade de queimadas e às geometrias das reservas ecológicas do Estado de São Paulo.

    Os resultados podem ser baixados em diversos formatos — incluindo GeoTIFFs, JPEGs e camadas compatíveis com QGIS — permitindo análises georreferenciadas em múltiplos ambientes.

    🔬 Conexão entre ciência, sociedade e tecnologia

    A presença da Brazil Flying Labs no Aerovision 2025 reforçou o papel da rede como ponte entre academia, sociedade e inovação tecnológica.
    O projeto Post Fire Assessment exemplifica como sensoriamento remoto e IA podem ser aliados diretos na conservação ambiental e na gestão de desastres naturais, transformando dados em ação e fortalecendo políticas públicas baseadas em evidências.

    “Nosso objetivo é ampliar o acesso a tecnologias abertas que apoiem a resposta ambiental e a recuperação de ecossistemas afetados pelo fogo. A tecnologia deve ser uma ferramenta de empoderamento e não de exclusão”, destacou Marcelo Camargo durante a palestra.

    Ao integrar a programação, a Brazil Flying Labs reforça sua missão de usar a robótica, drones e a inteligência artificial para promover impacto social e ambiental positivo, alinhando-se à visão global da rede Flying Labs presente em mais de 40 países.

    Links:

    https://www.brazilflyinglabs.org.br/aerovision/