Categoria: CAA Hub

  • RBAC nº 100: um novo marco regulatório para drones no Brasil

    RBAC nº 100: um novo marco regulatório para drones no Brasil

    Leia em 5 minutos.

    A ANAC está prestes a implementar uma transformação significativa na regulamentação da aviação não tripulada. O RBAC nº 100, atualmente em consulta pública, propõe substituir o RBAC-E nº 94, que está em vigor desde 2017. Essa mudança reflete a maturidade crescente do setor de drones no Brasil e busca acompanhar os avanços tecnológicos, operacionais e regulatórios dos últimos anos.

    Por que mudar?

    O RBAC-E nº 94 nasceu como um regulamento temporário, pensado para um setor ainda em desenvolvimento. Com o crescimento da indústria de drones — especialmente em aplicações como mapeamento, entregas, segurança e agricultura — tornou-se necessário um regulamento mais robusto, permanente e adaptado à diversidade de operações.

    O que muda na prática?

    1. De “classe” para categoria operacional

    O novo regulamento deixa de focar exclusivamente no peso da aeronave e passa a classificar as operações com base no nível de risco, dividindo-as em três categorias:

    • Aberta: para operações de menor risco, com drones de até 25 kg, voando até 120 metros do solo, com visada direta ou com observadores, em áreas afastadas de pessoas.
    • Específica: para operações com risco intermediário, que exigem uma avaliação de risco operacional, podendo incluir voos além da linha de visada (BVLOS).
    • Certificada: para atividades de alto risco, como transporte de cargas perigosas ou operações que não podem ser mitigadas apenas com análise de risco. Essas operações exigem certificação formal do drone e do operador.

    2. Conceitos novos que você precisa conhecer

    O RBAC nº 100 traz definições importantes para aumentar a clareza e facilitar a regulamentação:

    • COE (Cadastro de Operador na Categoria Específica): documento emitido pela ANAC que comprova que o operador está autorizado a realizar operações na categoria específica, após cumprir requisitos técnicos e de segurança.
    • Cenário Padrão: modelos de operação definidos previamente pela ANAC para tipos de missões com riscos já conhecidos e controláveis. Esses cenários simplificam o processo de aprovação, permitindo que operadores sigam procedimentos pré-estabelecidos sem precisar passar por todo o processo de análise de risco.
    • Distância de planeio e autorrotacional: conceitos usados para definir a capacidade da aeronave de alcançar um local seguro em caso de falha. A distância de planeio se aplica a drones de asa fixa (sem propulsão), e a de autorrotacional, a drones de asas rotativas (como multirotores), em queda controlada.
    • Papel do operador e do piloto remoto: o regulamento diferencia claramente os dois papéis. O operador (empresa ou pessoa responsável pela missão) passa a ter responsabilidade formal sobre a operação, incluindo a escolha do equipamento e da equipe. Já o piloto remoto é quem comanda diretamente o drone e responde pela condução segura do voo.

    3. Inclusão e flexibilidade

    • Drones recreativos e de até 250 gramas deixam de ser tratados pelo RBAC e passarão a ser regulados por uma resolução específica — uma boa notícia para entusiastas e para uso educacional.
    • Menores de idade poderão operar drones, desde que supervisionados por um piloto maior de 18 anos, o que abre novas possibilidades para ensino e pesquisa.
    • Voos internacionais com drones exigirão proficiência em inglês. Essa exigência se aplica a operações transfronteiriças que envolvam comunicação com controle de tráfego aéreo internacional, conforme padrões da OACI (Organização da Aviação Civil Internacional).

    4. Avaliação de risco mais proporcional

    Um dos avanços mais relevantes é o uso da metodologia SORA (Specific Operations Risk Assessment), que permite ajustar os requisitos de segurança ao risco real de cada operação. Em operações afastadas de áreas povoadas, por exemplo, a exigência de uma análise formal de risco pode ser dispensada — tornando o processo mais eficiente e menos burocrático.

    5. Impactos diretos para fabricantes e desenvolvedores

    Para fabricantes, o RBAC nº 100 reforça a necessidade de certificação do projeto em operações de maior risco. Serão exigidos documentos técnicos como manual de voomanual de manutençãoanálise de segurança e, eventualmente, ensaios em solo ou em voo, conforme o tipo de missão. Isso favorece o desenvolvimento de drones mais seguros e alinhados com as melhores práticas internacionais.

    Conclusão

    O RBAC nº 100 representa um avanço essencial para a consolidação da aviação não tripulada no Brasil. Ao trazer uma abordagem mais flexível, proporcional ao risco e alinhada com os padrões internacionais, ele facilita o crescimento sustentável do setor e garante mais segurança para operadores, desenvolvedores e para a sociedade.

    Brazil Flying Labs apoia esse movimento rumo a uma regulamentação moderna, clara e que reconhece o papel estratégico dos drones para o desenvolvimento social, econômico e tecnológico do país.

  • Brazil Flying Labs no DroneShow 2025: inovação, conexões e o futuro da regulamentação no Brasil

    Brazil Flying Labs no DroneShow 2025: inovação, conexões e o futuro da regulamentação no Brasil

    Leia em 4 minutos.

    De 3 a 5 de junho de 2025, a Brazil Flying Labs marcou presença no DroneShow Robotics, o maior evento da América Latina voltado para drones, robótica e sistemas autônomos. Realizado no Expo Center Norte, em São Paulo, o evento reuniu mais de 150 expositores e milhares de profissionais em uma programação intensa de palestras, workshops, rodadas de negócios e demonstrações práticas.

    Nosso principal objetivo foi fortalecer conexões estratégicas, acompanhar de perto as inovações do setor e, especialmente, participar ativamente das discussões sobre o futuro regulatório dos drones no Brasil. Um dos momentos mais relevantes foi o anúncio, pela ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil), da abertura da consulta pública da minuta do novo RBAC nº 100, que substituirá o RBAC-E nº 94 (em vigor desde 2017). A proposta representa um avanço importante, ao adotar uma abordagem baseada em risco (SORA), regulação por desempenho, novas categorias operacionais e regras específicas para aeronaves com menos de 250 gramas.

    A equipe da Brazil Flying Labs esteve presente nas sessões promovidas pela ANAC, participando dos debates e contribuindo com questionamentos técnicos. Também acompanhamos com atenção as palestras do DECEA (Departamento de Controle do Espaço Aéreo), que apresentou a futura estrutura do espaço aéreo nacional com foco na integração de drones e eVTOLs — um passo essencial rumo a um ambiente aéreo mais mais seguro, eficiente e interoperável.

    Durante o evento, os diretores da Brazil Flying Labs, Marcelo Camargo e Diego Ferruzzo, representaram a organização em diversas frentes, participando de reuniões estratégicas, dialogando com reguladores e parceiros e fortalecendo a presença institucional da rede no cenário nacional. Sua atuação reforça o compromisso da Brazil Flying Labs com a construção colaborativa de soluções tecnológicas voltadas para o bem social.

    Nosso engajamento reforça o compromisso com a segurança operacionalinovação e o fortalecimento do ecossistema nacional de drones. Convidamos toda a nossa comunidade a participar da consulta pública aberta até 18 de julho de 2025, uma oportunidade valiosa para contribuir com uma regulação mais moderna, inclusiva e alinhada às necessidades do setor.

    Além do eixo regulatório, o evento destacou o dinamismo da indústria. A Xmobots realizou demonstrações ao vivo dos drones Nauru 500C ISR e Nauru 100D, enquanto a Agrosure apresentou soluções de pulverização e modelos de parceria. Já o Magic Drone Show encantou o público com drones coreografados, revelando o potencial criativo e comercial dessa tecnologia.

    Durante os três dias, interagimos com representantes de setores diversos — agricultura, construção civil, energia, segurança, logística, meio ambiente — e com startups, universidades e centros de pesquisa. Entre eles, destacamos a participação de estudantes da UFABC, que vêm se aproximando do mercado com grande interesse e competência. Os alunos Rodrigo PaladiniMateus dos Santos Correia e Ricardo Sandro Siqueira Lobato Sobrinho, orientados por Diego, integraram nossa equipe no evento, contribuindo com entusiasmo e demonstrando potencial para atuação futura no setor.

    Também destacamos a participação de Fernanda Siniscalchi, coordenadora do CAA Hub da Brazil Flying Labs, que trouxe ao palco discussões relevantes sobre a aceitação pública dos drones e eVTOLs. Em sua fala, enfatizou a importância da educação como ferramenta fundamental para preparar os jovens que serão futuros desenvolvedores, operadores e usuários dessas tecnologias emergentes.

    Participar do DroneShow 2025 foi mais do que estar presente em um grande evento: foi consolidar a Brazil Flying Labs como uma referência técnica e estratégica no uso de tecnologias emergentes para impacto positivo. Voltamos inspirados, com novos aprendizados, parcerias promissoras e a certeza de que estamos no caminho certo rumo a um setor de drones mais ético, inclusivo e eficiente.

    Acompanhe o CAA Hub para acessar os conteúdos que surgiram a partir dessa jornada. Juntos, seguimos promovendo inovação com propósito.